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Artigos Anna Aslan

01 de dezembro de 2008
BENEFÍCIOS DA SUPLEMENTAÇÃO DA N-ACETILCISTEÍNA PARA O ORGANISMO

A N-Acetilcisteína (NAC) é um potente antioxidante que exerce muitos benefícios ao organismo. Sua maior importância se dá pelo fato de ser precursor da glutationa, que é um dos melhores “destruidores de radicais livres”, promovendo desintoxicação do organismo e consequentemente protegendo e preservando nossas células (Kelly, 1998).

Inicialmente a NAC era utilizada apenas como um agente mucolítico em uma variedade de doenças respiratórias, como bronquites, asma e enfisemas entre outros, já que fluidifica as secreções mucosas e mucopurulentas das vias respiratórias por um mecanismo de lise química (Grandjean et al., 2000).
Atualmente, além destas atribuições, a NAC demostrou apresentar efeitos benéficos em condições caracterizadas pela diminuição da glutationa e pelo aumento do estresse oxidativo, tais como em infecção por HIV, cancro, doenças do coração e tabagismo. Além disso, a NAC também tem utilidade clínica como um agente quelante no tratamento de intoxicações agudas por metais pesados, protegendo o fígado e os rins (Kelly, 1998). Outra atividade atribuída à NAC seria a proteção da função dos macrófagos e neutrófilos prevenindo os efeitos inibitórios do cigarro (Lu et al, 2001), da poluição ambiental e das radiações ultravioletas.
Outro fato, que não se pode deixar de mencionar, é a popularização do uso da NAC entre praticantes de atividades físicas, pois estudos recentes demonstram que esta substância pode ajudar a reduzir a fadiga muscular em treinos de longa duração (Medved et al., 2004). Diversos estudos também têm demostrado os benefícios desse poderoso antioxidante, que vêm sendo usado como protetor hepático para desordens como cirrose (Filho et al., 2008), auxiliando a reduzir os níveis de lipoproteínas e evitando a oxidação do colesterol LDL (Koechlin et al., 2004). Além disso, outro estudo (Aumachi et al., 2006) demostrou que a NAC reduziu os fatores de risco para arterosclerose e também apresentou efeitos benéficos ao tecido hepático.
Outras pesquisas na área mostraram que a NAC também atenuou insuficiência renal isquêmica em animais e impediu a disfunção renal aguda em pacientes com insuficiência renal crônica expostos a pequenas doses de agentes de contraste durante tomografia computadorizada comprovando seu efeito protetor nos rins (Kay et al., 2003). Em mais um estudo sobre os efeitos da NAC (Sogaymar; Figueiredo, 2003), foi demostrado que este suplemento reduziu a nefrotoxicidade dos contrastes que é induzida por aumento da produção de radicais livres de oxigênio. Os benefícios da NAC, deste modo, tem sido atribuídos à sua ação antioxidante direta e devido a vasodilatação.
Sendo assim, o uso da NAC demostra ser extremamente promissor e também deveria ser avaliado através de estudos especificamente planejados para os pacientes de alto risco.
REFERÊNCIAS
Amauchi, J. F. Efeitos da N-acetilcisteína (NAC) sobre fatores de risco para a arterosclerose no alcolismo e na abstinência alcóolica: modelo experimental em ratos. Depto de Química e Bioquímica – UNESP/Botucatu-SP. Disponível em . Acesso em 01 de dezembro de 2008.
Filho G. P. et al. Efeito da N-acetilcisteína (NAC) sobre o estresse oxidativo no modelo experimental de cirrose. Apresentação do Departamento de Fisiologia. Laboratório de Fisiologia Digestiva – Estresse Oxidativo. UFRGS. FFFCMPA e ULBRA. Disponível em: . Acesso em 13 de novembro de 2008.
Grandjean E. M. et al. (2000) Efficacy of oral long-term N-acetylcysteine in chronic bronchopulmonary disease: A meta-analysis of published double-blind, placebo-controlled clinical trials. Clin. Therapeutics. 22(2): 209-221.
Kay J. et al. (2003) Acetylcysteine for Prevention of Acute Deterioration of Renal Function Following Elective Coronary Angiography and Intervention: A Randomized Controlled Trial. JAMA. 289(5): 553-558.

Kelly G. S. (1998) Clinical applications of n-acetylcysteine. Altern Med Rev. 3: 114–127.

Koechlin C. et al. (2004) Does Oxidative Stress Alter Quadriceps Endurance in Chronic Obstructive Pulmonary Disease? AJRCCM. 169: 1022-1027.

Lu Q. et al. (2001) N-acetylcysteine improves microcirculatory flow during smoking: new effects of an old drug with possible benefits for smokers. Clin Cardiol. 24(7): 511-5.

Medved I. et al. (2004) N-acetylcysteine enhances muscle cysteine and glutathione availability and attenuates fatigue during prolonged exercise in endurance-trained individuals. J. Appl. Physiol. 97: 1477-1485.

Sogayar A. M. C. B.; Figueiredo L. F. P. de. (2003) N-acetilcisteína na prevenção da disfunção renal após angiocoronariografia. Rev. Assoc. Med. Bras.. 49(1): 5.



Karla Joseane Perez Juliana Urtassum Schmitt
Bióloga Nutricionista
CRBio 45.031-03