Artigos Anna Aslan
- 04 de novembro de 2008
- O ESTRESSE COMO DESENCADEADOR DE DOENÇAS
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O estresse apresenta-se como um componente da vida moderna e está cada vez mais freqüente no cotidiano. O tema vem sendo estudado desde o séc. XIX quando pesquisadores começaram a correlacionar o estresse com doenças e desordens de caráter somático.
Após as descobertas de Sir William Osler, médico inglês, que estudou um grupo de 20 médicos e sugeriu que o excesso de trabalho e de preocupação estaria ligado à suas doenças coronarianas, (Lipp, 2003), muitos foram os autores que contribuíram para o melhor entendimento deste mecanismo.
Em 1926, Hans Selye passou a estudar pacientes que sofriam de patologias diferentes, mas que tinham em comum um grupo de reações não específicas que apresentavam frente a situações que lhes havia causado angústia ou tristeza. Ele então denominou este conjunto de reações de “síndrome geral de adaptação” ou “síndrome do stress biológico” (Lipp, 2003). Segundo Alvarez (2001), Selye, por volta de 1930, definiu o estresse como uma quebra no equilíbrio homeostático do organismo. “Atualmente o termo tem sido utilizado para descrever tanto os estímulos que geram a quebra na homeostase do organismo, como a resposta comportamental criada por tal desequilíbrio” (Lipp, 2003 p.17).
Porém também é importante destacar que o estresse pode ser benéfico para o indivíduo, pois é essencial no desempenho humano e na preservação da vida. Quando o estresse funciona como um desafio estimulante levando, por exemplo, a um aumento de motivação, ele é benéfico e recebe o nome de eustresse. Já quando o estresse é prejudicial ao organismo é chamado de distresse (Selye, 1976).
O organismo procura lidar com um estressor produzindo várias alterações neuroquímicas e hormonais para se adaptar, porém se o organismo é constantemente exposto a estímulos estressores, de modo que há uma ativação fisiológica contínua, esta pode produzir alterações em processos metabólicos básicos e alterar a função e integridade neuronal, o que torna o organismo suscetível a doenças. Uma exposição a grandes concentrações de hormônios corticosteróides leva a uma desregulação gênica, o que compromete as funções cognitivas e aumenta a vulnerabilidade a desordens neurológicas ou psiquiátricas relacionadas ao estresse (Almeida, 2003).
TRATAMENTO PSICOLÓGICO DO ESTRESSE E TÉCNICAS COMPORTAMENTAIS DE MANEJO DO ESTRESSE
Ao se pensar em tratamento psicológico do estresse é necessário considerar que o estresse não é exatamente uma doença a ser tratada, visto que é uma reação do organismo necessária a sobrevivência. O estresse é, na verdade, um facilitador no desencadeamento de doenças para as quais o indivíduo é predisposto (Lipp, 2003).
As técnicas comportamentais visam atuar sobre os comportamentos de modo a influenciar ou modificar as características objetivas de um evento ameaçador orientando o indivíduo no modo como ele interpreta, avalia e integra o evento. As técnicas de relaxamento, amplamente utilizadas, ensinam recursos de enfrentamento fundamentados na correlação entre afetividade e tônus muscular, de forma a proporcionar controle cognitivo e comportamental e reduzir a dor e o medo (Araújo e Arraes, 2000). O relaxamento desativa o córtex adrenal e o sistema nervoso simpático. Assim, há uma diminuição de batimentos cardíacos, pressão arterial e níveis de colesterol se comparados aos que são efeitos de resposta ao estresse (Lipp, 2003).
Destaca-se, deste modo, que a intervenção psicológica é relevante no tratamento do estresse e na profilaxia de doenças causadas por este, devido a grande influência dos fatores psicológicos nos mecanismos biológicos do estresse.
Dra. Vivien Kaniak
CRP 08/11460
Graduada em Psicologia pela UFPR
Especialista em Gerontologia pela Facinter
Mestranda em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP.
Clínica Anna Aslan- Curitiba
REFERÊNCIAS
Almeida, O. M. M. (2003). A Resposta Neuropsicofisiológica ao Stress. Em M. E. N. Lipp (Org.), Mecanismos Neuropsicofisiológicos do Stress: Teoria e Aplicações Clínicas (pp. 25-30). São Paulo: Casa do Psicólogo.
Alvarez, M. A. (2001). Stress. Temas de Psiconeuroendocrinologia. São Paulo: Robe Editorial.
Araújo, T. C. C, Arraes & E. L. M (2000). Necessidades e expectativas de atuação do psicólogo em cirurgia e procedimentos invasivos. Estudos de Psicologia, 17 (1) 64-73.
Lipp, M. E. N. (2003) Mecanismos Neuropsicofisiológicos do Stress : Teoria e Aplicações clínicas. São Paulo: Casa do Psicólogo.
Selye, H. (1976). Stress in Health and Disease. Boston. Butterworth.
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